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The Writings of José Domingos Raffaelli
(As escritas de José Domingos Raffaelli)



Jazz artist and lecturer Dr. Billy Taylor with José

 

Newspaper Articles/Columns/Features Written by José Domingos Raffaelli
(Portuguese and English)

 

Brasileiro lança nos EUA aclamado livro sobre Frank Sinatra

Após dois anos de pesquisas, correspondências com dezenas de pessoas e uma peregrinação pelas editoras americanas, o pesquisador brasileiro Luis Carlos Nascimento Silva acaba de lançar nos Estados Unidos o livro "Put your dreams away - A Frank Sinatra discography", desde já considerada a mais completa referência no gênero. O lançamento é da editora Greenwood Press, tem 616 páginas e registra desde as gravações oficiais de Sinatra a suas aparições em programas de rádio e TV.

"De fato, iniciei o trabalho em 1957, quando assinava uma coluna na revista 'Jazz & popular', o que fez na verdade com que este trabalho tivesse 43 anos", disse o autor em entrevista a José Domingos Raffaelli, correspondente do jornal O Globo. "Quando a revista acabou, continuei as pesquisas, levando adiante a discografia de Sinatra".

Não à toa, o livro foi recebido como o mais completo até hoje sobre a obra da maior voz da música popular americana. Ele lista até mesmo as sessões de gravação que foram canceladas e os V-discs, que o governo americano financiou ao longo da II Guerra Mundial. Nada menos do que 55 anos de Frank Sinatra foram vasculhados em detalhadamente, de sua primeira sessão, "Our love", disco-demo gravado de 39, em Nova York, à sua despedida dos estúdios, com "The house I live in", em 1994, um dueto com Neil Diamond.

 

(English) [Translation by José Sanches Perez]

BRAZILIAN (RESEARCHER) RELEASES IN THE USA AN ACCLAIMED BOOK ABOUT FRANK SINATRA

After two years of research, correspondence with dozens of people, and a peregrination through the American publishing companies, Brazilian researcher Luis Carlos Nascimento Silva has just released in USA the book "Put Your Dreams Away - A Frank Sinatra Discography", from now on considered the most complete reference in the genre. The book is a Greenwood Press publishing company release, with 616 pages that registers the Sinatra's official recordings as well as his appearances at radio and TV stations' shows.

"In fact, I began the work in 1957, when I was a columnist at "Jazz & Popular" magazine, so that this work, indeed, has [taken] 43 years", said the author in a interview to José Domingos Raffaelli, "O Globo" newspaper correspondent. "When the magazine was over, I continued researching and taking ahead the Sinatra's discography".

It wasn't without reason that the book was received as the most complete one (until today) about the work of the biggest voice of the American popular music.

It lists even the record sessions that were cancelled and the V-discs that the American government financed along the World War II. Nothing less than 55 of Sinatra years were searched throughout in a detailed way, from his very first session, "Our Love", demo-disk recorded in 1939, in New York, to his studios farewell, with "The House I Live In", in 1994, a duet with Neil Diamond.

 

(Portuguese)

Márcio Montarroyos comanda nova casa de jazz no Rio

Nesta próxima quinta-feira, dia 30 de março, o Rio de Janeiro vai ganhar uma nova casa de shows dedicada especialmente ao jazz. O Giraldia Up Jazz (Rua Maria Angélica, 37, no Jardim Botânico) será montado no segundo andar da charutaria com o mesmo nome e é uma iniciativa do trompetista Márcio Montarroyos, também diretor artístico da casa, Paulo Brocárd, Ronaldo Vieira e Jorge Vieira.

"Nossa proposta é privilegiar o jazz, provando que existe bom público para a música instrumental no Rio", disse Montarroyos a José Domingos Raffaelli, do jornal O Globo. "A idéia é transformar o Giraldia numa versão carioca do clube londrino Ronnie Scott's".

Paulo Brocárd foi também o fundador do Mistura Fina ao lado de Montarroyos, quando a casa ainda funcionava em Ipanema. O Giraldia Up Jazz tem capacidade para cem pessoas, o que permite uma atmosfera perfeita para shows de música instrumental. Para as primeiras apresentações, está agendada a presença da banda de Montarroyos (Glauton Campello, Ricardo Silveira, Arthur Maia, Raul Mascarenhas e Vittor Santos), com alguns convidados especiais, como Mauro Senise e Marcelo Martins.

Leo Gandelman, o grupo Cama de Gato e o guitarrista americano Kenny Burrell estão entre as próximas atrações.

 

(English) [Translation by José Sanches Perez]

MÁRCIO MONTARROYOS COMMANDS A NEW JAZZ HOUSE IN RIO

Next Thursday, March, 30, Rio de Janeiro is going to get a new shows' house mainly dedicated to jazz. The Giraldia Up Jazz (Maria Angélica Street, 37 - Jardim Botânico) will be installed on the second floor of a cigar shop that has the same name and it's an initiative of trumpet player Márcio Montarroyos (who is also the house's artistic director), Paulo Brocárd, Ronaldo Vieira and Jorge Vieira.

"Our proposal is to privilege jazz, proving that [there] exists a good audience for the instrumental music in Rio", said Montarroyos to José Domingos Raffaelli from the "O Globo" newspaper. "The idea is to become Giraldia in a "carioca" (the people who were born or live in Rio are called "carioca") version of Ronnie Scott's Londoner club.

Paulo Brocárd was also, beside Montarroyos, the Mistura Fina founder, when the house still functioned in Ipanema. Giraldia Up Jazz is able to receive 100 people, which permits a perfect atmosphere for instrumental music shows. For the first presentations, the Montarroyos' band (Glauton Campello, Ricardo Silveira, Arthur Maia, Raul Mascarenhas and Vitor Santos) are scheduled, along with some special guest stars like Mauro Senise and Marcelo Martins.

Leo Gandelman, Cama de Gato group (Cat's Bed group) and the American guitar player Kenny Burrel are among the next attractions.

 

 


Duke Ellington

 

(Portuguese)

Centenário de Duke Ellington
29/04/1899 - 24/05/1974
por José Domingos Raffaelli

VIDA E OBRA

No ano em que o mundo celebra o centenário de Duke Ellington, é hora de reavaliar e considerar as realizações e conquistas do maior músico do século, excetuando a área clássica. Duke Ellington foi uma das figuras transcendentais do jazz, cujas contribuições converteram- no num dos maiores músicos deste século. Sua fama ultrapassou as fronteiras da arte negra para impor-se como um dos músicos mais conhecidos na história da música ocidental. Sua inventiva inesgotável, a rica e variada temática, o sentido dos timbres e o colorido das sonoridades orquestrais enriqueceram sobremaneira o jazz, dando-lhe forma, direção e dignidade. Sem perder o sentimento negróide, seu som é inconfundível, sua música perfeita e seu lugar na história do jazz como músico universal é indiscutível. 

Cerebral e frio nas suas atitudes e reações, homem de arguta inteligência e perspicácia, soube extrair de sua perene inspiração música vivente com lógica e elegância de estilo. Sua obra possui uma tendência para a melancolia como reflexo de um romantismo singular. Ellington foi uma ilha solitária no vasto oceano da música americana. Dirigindo sua orquestra ininterruptamente durante quase meio século, Ellington não foi somente um grande líder, compositor, arranjador e pianista, mas essencialmente um criador de invulgar talento e originalidade. Ele costumava dizer que a orquestra era o seu verdadeiro instrumento, pois através dela expressava suas idéias e suas experiências. O som da sua orquestra é distinto das demais, suas figuras musicais são inusitadas e o refinamento das suas melodias é objeto de acurados estudos por parte de musicólogos encantados pelo seu sentido de forma. 

Grande criador de melodias, como inventor de sons foi insuperável. A melodia ellingtoniana foi inseparável do som ellingtoniano; ninguém os copiou, pois melodias e sons de Ellington são inimitáveis. A unanimidade foi uma constante na carreira do incomparável diretor de orquestra, compositor e arranjador, um perene entusiasta da música e da vida, do bom humor, alegria e espírito jovem capaz de ofuscar o mais otimista dos moços. Esse foi o retrato de Ellington, cuja contribuição à música contemporânea foi das mais profundas e marcantes. Sua extensa obra é conhecida em todo o mundo e reconhecida universalmente como música de excepcional qualidade, por todos os que a ouviram, estudaram e analisaram. Suas composições, muitas mundialmente famosas que se tornaram standards americanos, foram gravadas por big bands, pequenos conjuntos, vocalistas, orquestras de cordas, de danças e de música de salão, além de sinfônicas e conjuntos de câmera.

Considerando as inovações que introduziu nos campos da melodia, da harmonia, da composição (incluindo obras extensas e músicas sacras) e do arranjo, Ellington foi o músico que mais contribuiu para a evolução do jazz orquestral. Edward Kennedy Ellington nasceu em 29 de abril de 1899, em Washington. O apelido Duke, dado por uma vizinha de Ellington, quando era menino, pela elegância com que se vestia, ficou para a posteridade simbolizando uma personalidade única dentro da música universal. Duke começou suas lições de piano aos sete anos, revelando forte inclinação musical. Sua primeira inspiração veio dos pianistas de ragtime, e sua primeira composição, "Soda fountain rag", de 1914, reflete essa influência. Formou seu primeiro conjunto em 1922, um quinteto no qual tocavam o baterista Sonny Greer e o saxofonista Otto Hardwicke. 

O entusiasmo e a vontade de triunfar levou o grupo a tentar sua sorte em Nova York, no ano seguinte, conseguindo trabalho no clube Baron's, no Harlem, e, logo depois, no Kentucky Club, na Broadway. Mas, os tempos eram difíceis, e Ellington e seus músicos passaram um bom período sem trabalho. Em sua biografia "Music is my Mistress", ele conta que, por falta de dinheiro, ele e seus quatro músicos dividiam uma salsicha para se alimentarem . Em 1924, compõe a partitura musical da revista "Chocolate Kiddies". No ano seguinte, com o nome "The Washingtonians", seu quinteto grava um disco sem qualquer repercussão. De trabalho em trabalho, ele aumenta o número de músicos do seu grupo, e em 1926 conta com uma formação maior, incluindo Bubber Miley (trompete), Joe Tricky Sam Nanton (trombone) e Wellman Braud (tuba, depois baixo), músicos talentosos cujas contribuições iriam contribuir para a afirmação e a qualidade da música da orquestra. 

Grava "East Saint Louis Toodle-Oo" e "Birmingham Breakdown", plantando as sementes da grandeza que gerou novas direções para o jazz orquestral, chamando a atenção para o seu talento de compositor e inovador. "East Saint LouisToodle-Oo" introduziu o jungle style, uma inovação de Ellington em que os metais da orquestra tocam com rudeza e força de expressão, extraindo sons selvagens imitando grunhidos, roncos ou gritos de lamento, dando um efeito de mistério e selvageria às composições. Nesse disco, o trompetista Bubber Miley inaugura esse caminho, extraindo os sons ásperos com a surdina plunger, aproximando ou afastando da campana do instrumento com a mão, controlando a intensidade do som. Miley sedimentou o estilo em "Black and tan fantasy" (primeira obra-prima ellingtoniana), "Creole love call" e "The mooche". Quando Ellington foi contratado para tocar no lendário Cotton Club, onde permaneceu de 1927 a 1932, acompanhando os shows de cantores e bailarinos, nasceram várias composições jungle style, que se prestavam para complementar o clima das danças dos shows que lá se realizavam. 

Com a morte de Bubber Miley, seu substituto Cootie Williams masterizou a arte da surdina plunger, sob a orientação do trombonista Tricky Sam Nanton, outro mestre do estilo que foi uma das vozes mais originais da orquestra e do jazz. Outra criação do maestro foram os concertos em miniatura, ou seja, composições feitas especialmente para destacar um solista da orquestra, dos quais "Concerto for Cootie", "Clarinet Lament" (para o clarinetista Barney Bigard), "Trumpet in Spades" (para o trompetista Rex Stewart) e "Sultry Sunset" (para o saxofonista Johnny Hodges), entre outros, foram marcantes. Outra das suas inovações foi o uso da voz sem palavras, como instrumento adicional nas orquestrações, utilizando suas cantoras, cujos timbres adaptam-se perfeitamente ao colorido orquestral desejado, iniciada por "Creole Love Call", com a cantora Adelaide Hall. Nos anos 40, Kay Davis brilhou em vocalises dessa natureza, cantando em peças como "On a Turquoise Cloud" e "Minewatha".

Pioneiro das composições extensas, ele abriu novos horizontes para outros compositores-arranjadores como Gil Evans, Charles Mingus, Lalo Schifrin e Oliver Nelson. Após uma tímida tentativa inicial com "Creole rhapsody", em 1931, ocupando duas faces de um disco de 78 rotações, em 1935 compõe "Reminiscing in tempo" (ocupando quatro faces dos velhos discos de 78 rotações, inédito e ousado na época), "Latin America Suite", "New Orleans Suite" e outras, depois de uma tímida tentativa inicial com "Creole Rhapsody", em 1931, peça de caráter descritivo-melancólico que ocupou quatro faces de dois discos de 78 rotações. Mas, foi com a célebre "Black, Brown and Beige", obra de envergadura de 50 minutos, apresentada pela primeira vez na íntegra no Carnegie Hall, em 1943, que Ellington firmou definitivamente sua criação em peças de longa duração. "Deep South Suite", "Liberian Suite" (comissionada a pedido do governo da Libéria, em 1947), "Blue Belles of Harlem", "New World a-Comin'", "A Drum is a Woman", "The Tattoed Bride", "The Goutelas Suite","Perfume Suite", "A Tone Parallel to Harlem" (as duas últimas são poemas tonais impressionistas), "Latin America Suite" e "New Orleans Suite" e outras. 

Os anos 30 representaram a afirmação do talento de Ellington, cuja música original colocou sua orquestra num estágio bem adiante das demais. Foi quando nasceram algumas das suas composições mais inspiradas, incluindo as clássicas "Sophisticated Lady", "Solitude", "I Let a Song go Out of my Heart" e "Mood Indigo". A crítica é unânime em reconhecer o período 1939/1942 como a fase áurea de Ellington, quando gravou para a RCA Victor uma série de obras-primas que se inscrevem entre as melhores gravações de jazz orquestral de todos os tempos. Entre outras composições, foram perpetuadas "Cotton Tail", "Concerto for Cootie" (mais tarde intitulado "Do Nothin' till You Hear from Me"), "Never no Lament" (depois batizado como "Don't get Around much Anymore"), "I got it Bad", "Perdido", "C jam Blues" (também conhecido como "Duke's Place"), "Portrait of Bert Williams", "Bojangles", "Ko-ko", "Harlem air Shaft", "All too Soon", "In a Mellotone", "Jump for Joy" e "Warm Valley". 

Esse período de imenso sucesso artístico coincidiu com a entrada na orquestra de reforços do quilate de Ben Webster (sax-tenor), do inovador baixista Jimmy Blanton e, principalmente, do inspirado compositor e arranjador Billy Strayhorn, que foi o alter ego de Ellington, seu grande colaborador, amigo e confidente. Melodista refinado e harmonicamente sofisticado, Strayhorn criou peças memoráveis, de beleza virtualmente inigualável, como "Lush life", "Chelsea bridge", "Passion flower", "Something to live for" e "Day dream". Strayhorn também é o autor de "Take the A train", famoso tema que foi o prefixo da orquestra. Deixando a RCA Victor, Ellington assinou com a Musicraft, uma parceria pouco frutífera que durou dois anos, mas tendo como saldo positivo os registros de "Happy go Lucky Local" e "Trumpets no end", baseado nas harmonias de "Blue Skies", destacando uma empolgante batalha dos quatro trompetistas da orquestra. 

Transferindo-se para a Columbia, onde ficou de 1947 a 1952, Ellington ganhou a primazia de ter o primeiro LP de jazz da história lançado em seu nome. A entrada do trompetista Clark Terry e do baterista Louis Bellson representaram uma injeção renovadora no entusiasmo da orquestra. A Columbia deu-lhe um tratamento condizente com sua importância, mas Ellington não resistiu a uma proposta milionária da Capitol, em 1953, onde gravou seu primeiro LP em trio. Na primeira sessão para a Capitol, o maestro gravou "Satin Doll", que formou a trilogia dos seus maiores sucessos com " Solitude" e "Sophisticated Lady". Ainda na Capitol, gravou o álbum "Ellington 55", com repertório homenageando outras big bands. Deixando a Capitol, gravou dois álbuns para o selo Bethlehem, recriando seus antigos sucessos com novos arranjos. A repercussão dos discos da Bethlehem não passou despercebida, sendo contratado pelos executivos da Columbia. Sua orquestra causou verdadeira histeria coletiva durante a interpretação de "Diminuendo and Crescendo in Blue", no Newport Jazz Festival, de 1956, devido aos 27 choruses de alta tensão do saxofonista Paul Gonsalves, reaquecendo a popularidade de Ellington e abrindo um novo período de intensa atividade e alta criatividade. 

Os anos 60 e 70 foram de muito trabalho, incluindo turnês no Japão e na América Latina, com apresentações da orquestra no Brasil, em 1968 e 1971, onde colheu triunfos memoráveis. As duas turnês renderam as obras "Far East Suite" e "Latin Amnerican Suite". Nesse período nasceram os concertos sacros, que figuram entre suas maiores realizações, e as trilhas dos filmes "Anatomia de um Crime" e "Paris Blues". Duke Ellington teve uma carreira invejável. Ele mantém o record virtualmente imbatível de ter comandado sua orquestra durante 50 anos ininterruptamente. Em sua carreira, também gravou com Count Basie, Dizzy Gillespie, Tommy Dorsey, Joe Pass, Frank Sinatra, Louis Armstrong, Coleman Hawkins, Charles Mingus, Max Roach, John Coltrane, Jimmy Rushing, Mahalia Jackson, Charlie Barnet, Ella Fitzgerald, Alice Babs, Jimmy Jones, Les Spann, Ray Brown e Rosemary Clooney. Respeitado em todo o mundo, foi homenageado por reis, imperadores, potentados, presidentes de quase todos os países, recebendo condecorações de todo tipo. Entre as inúmeras homenagens (??), foi condecorado pela Rainha Elizabeth, da Inglaterra, e pelo presidente Richard Nixon, na Casa Branca, nos festejos do seu 70° aniversário. Duke Ellington permaneceu ativo até quase o final da sua vida. Em dezembro de 1973 fez sua última turnê no exterior, tocando na Inglaterra. Os preparativos para festejar seus 75 anos transcorriam normalmente, mas em 10 de abril de 1974 foi hospitalizado. As primeiras notícias eram incertas, sem precisar o mal que o afligia. Logo depois, detectado um câncer, seu estado se agravou, vindo a falecer dia 24 de maio de 1974. 

 

CRONOLOGIA DA CARREIRA DE ELLINGTON: 

1899 - Nasceu em Washington, em 29 de abril.

1914 - primeira composição: "Soda fountain rag" 

1922 - Forma seu primeiro conjunto, em Washington, com Sonny Greer (bateria) e Otto Hardwicke (sax e clarinete). 

1923 - Vai para Nova York, onde toca no Baron' s Club e no Kentucky Club, 

1924 - Compõe a música da revista "Chocolate kiddies". 

1926 - Forma sua primeira orquestra, com Bubber Mailey (trompete), Tricky Sam Nanton (trombone) e Wellman Braud (tuba e baixo) 

1927 - Inicia temporada de cinco anos no Cotton Club. Barney Bigard (clarinete) e Harry Carney (sax-barítono) entram na orquestra. Cria o jungle style. 

1928 - Johnny Hodges (sax-alto) entra na orquestra. 

1929 - Toca no curta metragem "Black and tan fantasy". Morre Bubber Miley. que é substituido por Cootie Williams. 

1930 - A orquestra toca no filme "Check and double check". Obras: "Mood indigo" e "Ring dem bells". 

1931 - A cantora Ivie Anderson ingressa na orquestra. Obras: "Rockin' in rhythm" e "Creole rhapsody". 

1932 - Trombonista Lawrence Brown entra na orquestra. Obra: "It don't mean a thing." 

1933 - Primeira excursão à Europa. Obra: "Sophisticated lady". 

1934 - Cornetista Rex Stewart ingressa na orquestra. Obras: Solitude" e "Stompy Jones". 

1935 - Obras: "In a sentimental mood" e "Reminiscing in tempo". 

1937 - Filme "Um dia nas corridas", dos irmãos Marx. Grava "Caravan", com rimos latinos. Obras: "Diminuendo and crescendo in blue". 

1938 - Obras: "I let a song go out of my heart", "Prelude to a kiss", "Jeep's blues" e "The jeep is jumpin''. 

1939 - Segunda excursão à Europa. Billy Strayhorn, Ben Webster e Jimmy Blanton ingressam na orquestra. 

1940 - Ray Nance (trompete) substitui Cootie Williams. Obras: "Warm valley", "Never no lament", "Cotton tail", "Jack the bear", "Ko-ko", In a mellotone", "Day dream e "All too soon". 

1941 - Primeira apresentação do musical "Jump for Joy", de Ellington, em Hollywood. Obras: "I got it bad", "Just squeeze me" e "Take the A train", esta de Strryahorn. 

1942 - Filme "Uma cabana no céu". Morre Jimmy Blanton. Jimmy Hamilton (clarinete) substitui Barney Bigard. Obra: "C jam blues". 

1943 - Primeiro concerto no Carnegie Hal, apresentando a obra "Black, brown and beige". 

1944 - Cat Anderson (trompete) ingressa na orquestra. Obra: "I'm beginning to see the light". 

1945 - Oscar Pettiford (baixo) e Russell Procope (sax e clarinete) entram na orquestra. Obras: "Perfume suite" e "I'm just a lucky so and so". 

1947 - Primeira audição de "Liberian suite", no Carnegie Hall. 

1948 - Turnê européia. Obra: "The tattoed bride". 

1950 - Paul Gonsalves (sax-tenor) entra na orquestra. 

1951 - Louis Bellson (bateria), Clark Terry (trompete) e Willie Smith (sax-alto) entram para a orquestra. 

1956 - Triunfal apresentação no Festival de Newport. Ellington é matéria de capa da revista "Time". 

1957 - Obras: "A drum is a woman" e "Portrait of Ella Fitzgerald". 

1958 - Homenageado pela Rainha Elizabeth. Obra: "Happy reunion". 

1959 - Compõe a trilha do filme "Anatomia de um crime". 

1960 - Compõe a trilha do filme "Paris blues". 

1962 - Cootie Williams retorna à orquestra. Grava em trio com Charles Mingus e Max Roach. 

1963 - Compõe a trilha do musical "My people". Turnê no Oriente Médio. Obra: "Afro-bossa". 

1964 - Primeira turnê no Japão. Seu filho Mercer Ellington (trompete) ingressa na orquestra. Obra: "Far East suite". 

1965 - Grava seu primeiro concerto sacro. 

1966 - Turnê européia com Ella Fitzgerald. Obra: "La plus bel- le africaine". 

1967 - Morre Billy Strayhorn. Condecorado na Universidade de Yale. 

1968 - Primeira turnê na América Latina. Segundo concerto sacro na Catedral St. John the Divine, de Nova York. Compõe a trilha do filme "Change of mind". Jimmy Hamilton deixa a orquestra, depois de 26 anos. 

1969 - Recebe do, presidente Nixon, na Casa Branca, a Medalha da Liberdade pelo seu 70 aniversário. 

1970 - Morre Johnny Hodges. Excursão à Austrália. 

1971 - Turnê na Rússia, Espanha e América Latina, incluindo o Rio de Janeiro. 

1973 - Escreve "Music is my mistress", sua autobiografia. 

1974 - Morre em 24 de maio.

 

IMPORTANTES MÚSICOS DA BANDA DE ELLINGTON

* Johnny Hodges - Um dos quatro maiores estilistas do sax-alto, tocou 38 anos na orquestra, de 1928/51 e 1955/70. De sonoridade de rara beleza, foi virtualmente inigualável nos blues e nas baladas. Para alguns críticos, foi o maior solista da orquestra em todos os tempos. 

* Harry Carney - Sax-barítono, clarone e clarinete, foi o escudeiro fiel de Ellington, que durante 47 anos ininterruptos, de 1927 a 1974, foi a âncora da seção de saxes. Foi o primeiro mestre do sax-barítono no jazz. Nos últimos anos, foi o diretor musical da orquestra.

* Cootie Williams - Trompetista especialista da surdina plunger, tocou 23 anos na orquestra, nos períodos de 1929/40 e 1962/74. Foi um dos principais solistas da orquestra. 

* Tricky Sam Nanton - Trombonista especialista da surdina plunger, tocou de 1926 a 1946. Uma das vozes mais originais da orquestra e do jazz. 

* Paul Gonsalves - Sax-tenor. Tocou 24 anos, de 1950 a 1974. Seu grande entusiasmo nos números rápidos e o feeling nas baladas deram-lhe grande destaque. Um dos mais destacados solistas da orquestra, ganhou fama com seus 27 choruses em "Diminuendo and crescendo in blue", gravado no Festival de Newport. 

* Jimmy Hamilton - Clarinete, tocou 26 anos, de 1942 a 1968. Sem ser uma das estrelas ellingonianas, sua consistência garantiu-lhe uma longa permanência na banda. 

* Sonny Greer - Primeiro baterista de Ellington, tocou 29 anos, de 1922 a 1951. Para muios críticos e fãs, sua saída da banda foi uma perda irreparável. 

* Lawrence Brown - Trombonista de belo som e muito punch, deu sua valiosa contribuição à música da banda durante 29 anos, de 1932 a 1951.

* Barney Bigard - Estilista do clarinete de Nova Orleans, de 1927 a 1942 deixou a estampa da sua categoria em inúmeros discos. 

* Cat Anderson - Foi o grande especialista do trompete agudo, que causava sensação nos concertos, deu o seu toque pessoal à banda de 1944 a 1968. 

* Russell Procope - Saxofonista-alto e clarinetista, modesto e introspectivo, de 1945 a 1974 contribuiu com solos bem-construídos para o brilhantismo da seção de palhetas. 

* Ray Nance - Trompetista, violinista e cantor, de 1940 a 1963 foi um dos mais destacados solistas de Ellington. Revelava altas doses de humor nas impagáveis imitações de outros músicos.

 

(English - feature text only) [Translation by José Sanches Perez]

DUKE ELLINGTON CENTENNIAL
29/04/1899 - 24/05/1974
By José Domingos Raffaelli

 

LIFE AND WORK

In the year that the world commemorates the Duke Ellington centennial, it's time to re-evaluate and considerate the realizations and conquests of the major musician of the century, excepting the classical area. Duke Ellington was one of those transcendental figures of jazz, whose contributions made him into one of the biggest musicians of this century. His fame passed over the frontiers of black art to impose himself as one of the most known musicians in the occidental music history. His inexhaustive inventiveness, the rich and varied themes, the tone signification and the colourful orchestral sonorities enriched the jazz greatly, giving it form, direction and dignity. Without losing the negro feeling, his sound is unmistakable, his music perfect and his place in the history of jazz as a universal musician is unquestionable.

Cerebral and cold in his attitudes and reactions, a man of subtle intelligence and perceptiveness, he know how to extract from perennial inspiration, living music with logic and elegance of style. His work has a tendency for the melancholy as a reflection of a singular romanticism. Ellington was a solitary island in the vast ocean of the American music. Conducting his orchestra continuously during almost half a century, Ellington wasn't only a great leader, composer, arranger and pianist, but essentially a creator with unvulgar talent and originality. He used to say that the orchestra was his true instrument, because through it (the orchestra), he expressed his ideas and his experiences. The sound of his orchestra is distinct from the other ones, his musical figures are unusual and the refinement of his melodies is object matter of accurate studies by music scholars enchanted by his sense of form.

A great melodies creator, as a sound inventor was unsurpassable. The ellingtonian melody was unseparable from the ellingtonian sound; nobody copied them because the Ellington melodies and sound are inimitatable. The unanimity was a constant in the career of the incomparable orchestra director, composer and arranger, a perennial enthusiast of music and life, of the good humour, joy and young spirit capable to dazzle the most optimistic of the young boys. This was the Ellington portrait, whose contribution to contemporary music was the most deep and outstanding. His extensive work is known in the whole world and acknowledged universally as music of exceptional quality, by everyone who listened it, studied and analyzed it. His compositions, many of them worldly famous that became American standards, were recorded by big bands, small groups, vocalists, string orchestras, dances and ballroom music orchestras, besides the symphonic and chamber music ensembles.

Considerating the innovation he introduced in the fields of melody, harmony, composition (including extensive works and sacred music), Ellington was the musician that gave the major contribution to the orchestral jazz evolution. Edward Kennedy Ellington was born in April 29, 1899, in Washington. The nickname Duke was given by a female neighbour, when he was a kid, because of the elegance of his wearing, remained to the posterity symbolizing a unique personality in universal music. Duke started his piano lessons at seven, revealing a strong musical inclination. His first inspiration came from the ragtime pianists and his first composition, "Soda Fountain Rag", from 1914, reflects this influence. He formed his first group in 1922, a quintet where the drummer Sonny Greer played along with the saxophonist Otto Hardwicke.

The enthusiasm and the will to triumph took the group to try its luck in New York, the following year, getting a job at Baron's club, in Harlem and soon after, at Kentucky Club, in Broadway. But it was hard times and Ellington and his musicians passed a long period unemployed. In his biography "Music Is My Mistress" he tells that, for lack of money, he and his four musicians shared one sausage to feed themselves. In 1924, he composed the musical score for the revue "Chocolate Kiddies". Next year, with the name "The Washingtonians", his quintet recorded a disk without any repercussion. From one work to another, he increased the number of musicians of his group and, in 1926, he has a bigger formation, including Bubber Miley (trumpet), Joe Tricky Sam Nanton (trombone) and Wellman Braud (tuba, then bass), talented musicians whose contributions were going to contribute to the affirmation and quality of the orchestra music.

He records "East Saint Louis Toodle-Oo" and "Birmingham Breakdown", planting the seeds of the greatness that generated new directions for the orchestral jazz, calling attention to his talent of composer and innovator. "East Saint Lous Toodle-Oo" introduced the jungle style, an Ellington innovation where the orchestra brass play with roughness and expression strength, extracting wild sounds imitating grunts, snorings or lament shouts, giving an effect of mystery and wildness to the compositions. In this record, trumpetist Bubber Miley inaugurates this way, extracting the rough sounds with the mute plunger, coming near and far from the (flared) bell with his hands, controlling the sound intensity. Miley sedimented the style in "Black And Tan Fantasy" (First Ellington masterpiece), "Creole Love Call" and "The Mooche". When Ellington was contracted to play at the legendary Cotton Club, where he stayed from 1927 to 1932 accompaning the singers and dancers shows, several jungle style compositions were born, that were useful to complement the (climate) warm up of the shows that happened there.

With Bubber Miley's death, his substituted Cootie Williams who masterized the art of the mute plunger, under the guidance of trombonist Trick Sam Nanton, another master of the style that was one of the most original voices of the orchestra and the of the jazz. Another Maestro's creation were the concertos in miniature, that is, compositions specially made to bring out one soloist of the orchestra, from which "Concerto For Cootie", "Clarinet Lament" (For clarinetist Barney Bigard), "Trumpet In Spades" (For trumpetist Rex Stewart) and "Sultry Sunset" (For saxophonist Johnny Hodges), among others, were markable. Other of his innovations was the use of the voice without words, like an additional instrument in the orchestrations, using his female singers, whose tones adapted perfectly to the desired orchestral collouring, initiated with "Creole Love Call", with the singer Adelaide Hall. In the forties, Kay Davis shone in vocalises of this nature, singing in pieces like "On a Turquoise Cloud" and "Minewatha".

Pioneer of extended compositions, he opened new horizons for other composers-arrangers like Gil Evans, Charles Mingus, Lalo Schifrin and Oliver Nelson. After a timid innitial attempt with "Creole Rhapsody", in 1931, occupying the two faces of a 78 rpm record, in 1935 he composes "Reminiscing In Tempo" (occupying four sides of those old 78 rpm records, unedited and audacious at that time), "Latin America Suite", "New Orleans Suite" and others, after a timid innitial attempt with "Creole Rhapsody", in 1931, piece with a descriptive-melancholic character that occuped four sides of two 78 rpm records. But it was with the famous "Black, Brown and Beige", a sizeable 50 minutes work presented in full version for the first time at Carnegie Hall in 1943, that Ellington firmed definitevely his creation on long duration pieces. "Deep South Suite", "Liberian Suite" (entrusted by Liberia Government, in 1947), "Bluebelles Of Harlem", "New World-A-Comin", "A Drum Is A Woman", "The Tattoed Bride", "The Goutelas Suite", "Perfume Suite", "A Tone Parallel To Harlem" (The last two are impressionist tone poems), "Latin America Suite" and others.

The thirties represented the Ellington talent affirmation, whose original music put his orchestra ahead from the other ones. It was when some of his most inspired compositions were born, including the classical "Sophisticated Lady", "Solitude", "I Let A Song Go Out Of My Heart" and "Mood Indigo".

Criticism is unanimous in acknowledging the period 1939/1942 as the Ellington best phase, when he recorded for the RCA Victor label a series of masterpieces that were booked among the best recordings of orchestral jazz in every time. Among other compositions, were perpetuated "Cotton Tail", "Concerto For Cootie" (later titled "Do Nothin' Till You Hear From Me"), "Never No Lament" (then baptized "Don't Get Around Much Anymore"), "I Got It Bad", "Perdido", "C Jam Blues" (also known as "Duke's Place"), "Portrait of Bert Williams", "Bojangles", "Ko-ko", "Harlem Air Shaft", "All Too Soon", "In A Mellow Tone" "Jump For Joy" and "Warm Valley".

This period of immense artistical success coincided with the entry in the orchestra of reinforcement like Ben Webster (tenor sax), the innovator Jimmy Blanton and, mainly, the inspired composer and arranger Billy Strayhorn, that was Ellington's alter ego, his great collaborator, friend, and confident. Refined melodist and harmonically sophisticated, Strayhorn created memorable pieces, with virtually unequalable beauty as "Lush Life", "Chelsea Bridge", "Passion Flower", "Something To Live For" and "Day Dream". Strayhorn is also the author of "Take The A Train", the famous theme that was used like the orchestra prefix. Leaving RCA Victor, Ellington signed with Musicraft, a less fruitfull partnership that lasted two years, but remained as a positive balance the recordings of "Happy Go Lucky Local" and "Trumpet No End", based on the harmonies of "Blue Skies", bringing out an exciting battle among the four trumpet players of the orchestra.

Going to Columbia, where he stayed from 1947 to 1952, Ellington got the privilege to have the first jazz LP of the history, released in his name. The entry of trumpetist Clark Terry and drummer Louis Bellson represented an renovated injection in to the orchestra enthusiasm. Columbia gave him the suitable attendance that his importance deserved, but Ellington didn't resist a millionaire proposal from Capitol, in 1953, where he recorded his first LP in trio. At the first session for Capital, the Maestro recorded "Satin Doll", that formed a trilogy of his best hits with "Solitude" and "Sophisticated Lady". Still at Capitol, he recorded the album "Ellington '55" with a repertory that pays tribute to other big bands. Leaving Capitol, he recorded two albums for the Bethlehem label, recreating his old successes with new arrangements. The Bethlehem records repercussion wasn't unperceptive and Ellington was contracted by the Columbia executives. His orchestra caused a true collective hysteria in the course of the interpretation of "Diminuendo And Crescendo In Blue", at Newport Jazz Festival, in 1956, due to Paul Gonçalves' 27 choruses of high voltage, re-warming the Ellington popularity and opening a new period of intensive activity and high creativity.

The sixties and seventies were years of much work, including tours to Japan and Latin America, with orchestra presentations in Brazil, in 1968 and 1971, where he picked memorable triumphs. The two tours brought the works "Far East Suite" and "Latin American Suite". In this period the sacred concertos were born, that figure among his biggest realizations and the soundtracks for the films "Anatomy Of A Murder" and "Paris Blues". Duke Ellington had a enviable career. He kept the virtually unattainable mark of having commanded his orchestra during 50 years continuously. In his career, he also recorded with Count Basie, Dizzy Gillespie, Tommy Dorsey, Joe Pass, Frank Sinatra, Louis Armstrong, Coleman Hawkins, Charles Mingus, Max Roach, John Coltrane, Jimmy Rushing, Mahalia Jackson, Charlie Barnet, Ella Fitzgerald, Alice Babs, Jimmy Jones, Les Spann, Ray Brown and Rosemary Clooney.

Respected in the whole world, he was reverenced by kings, emperors, potentates, presidents from almost all the countries, receiving all kinds of decorations. Among countless tributes, he was reverenced by Queen Elizabeth, of England, and by President Richard Nixon, in The White House, on his 70th anniversary celebration. Duke Ellington remained active until almost his lifetime ending. In December, 1973, he did his last tour out of the USA, playing in England. The preparations to commemorate his 75 years went normally, but in April 10, 1974 he was hospitalized. The first news was uncertain, saying nothing about the disease that afflicted him. Soon later, a cancer was detected, his health inflamed, coming to die on May 24, 1974.


 

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