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(Portuguese)
Duo João Meirelles e Delia Fischer no Novo Mundo
José Domingos Raffaelli
Dois grandes nome entre os instrumentistas brasileiros são as atrações deste mês no bar do Hotel Novo Mundo. A partir de amanhã, e todas as sextas-feiras de agosto, João Meirelles (sax e flauta) e Delia Fischer(piano) se apresentarão naquele local às 20h, em continuação ao Projeto Sextas de Jazz, que comemora seu sexto ano de atividade.
João Meirelles revelou-se em plena efervescência da bossa nova, quando floresceu seu talento de instrumentista, compositor e arranjador, firmando-se como um dos grandes valores da geração que surgiu e cresceu no Beco das Garrafas. Ele tocou na Orquestra do maestro Luiz Loy, liderou o célebre conjunto Meirelles e Os Copa Cinco (seu disco "O Som" foi um marco do samba-jazz, estilo do qual foi um dos seus criadores), e foi o arranjador de "Mas que nada", primeiro sucesso de Jorge Benjor. Meirelles gravou inúmeros discos com Cipó, Edison Machado, Luiz Carlos Vinhas e muitos outros, compôs e arranjou para o Sexteto Bossa Rio, de Sergio Mendes. Suas composições "Neurótico", "Quintessência", "Nordeste", "Contemplação", "Tania" e "Blue Bottle's" marcaram época. Meirelles viveu alguns anos na Europa, atuando em várias orquestras, incluindo a do maestro Aimée Barelli. Voltando ao Brasil, ficou algum tempo afastado da música, retomando agora seu caminho de pioneiro e inovador na moderna música brasileira.
A pianista e tecladista Delia Fischer ganhou seu espaço entre as grandes revelações dos anos 90, despontando no Duo Fenix, em dupla com o também tecladista Claudio Dauelsberg. Delia tocou e gravou com dezenas de músicos e cantores, e recentemente lançou seu CD "Antonio", recebido com elogios da crítica.
O Hotel Novo Mundo fica na Praia do Flamengo, 20,
não cobra couvert nem consumação
mínima.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
The duet João Meirelles and Delia Fischer in Novo Mundo
Jose' Domingos Raffaelli
Two great names among Brazilian instrumentists are the stars of the month in the Hotel Novo Mundo's bar. Starting tomorrow, and on every Friday of August, João Meirelles (sax and flute) and Delia Fischer (piano) will perform in that club at 20 hs., continuing the "Jazz on Fridays" Project, which is celebrating its sixth year of activity.
João Meirelles revealed himself during the bossa nova golden age, when flourished his talent of instrumentist, composer and arranger, and he made a name for himself as one of the great talents of the generation that raised and grew up in the Beco Das Garrafas. He played in the orchestra of the maestro Luiz Loy, leaded the famous band "Meirelles and the Copa Five" (his record "O som" was a mark of samba - jazz, which style he contributed to create), and he was the arranger of "Mas que nada", the first Jorge Benjor hit. Meirelles recorded innumerables records with Cipò, Edison Machado, Luiz Carlos Vinhas and many others, composed and arranged for the Sergio Mendes Bossa Rio Sextet. His compositions "Neurotico", "Quintessencia", "Nordeste", "Contemplaçao", "Tania" and "Blue Bottle's" marked an era. Meirelles lived for some years in Europe, working in several orchestras, including that of the maestro Aimèe Barelli. Coming back to Brazil, he stayed for some periods apart from music, and he takes again now his way as a pioneer and innovator in modern Brazilian music.
The pianist and keyboard player Delia Fischer has conquered her place between the great musical revelations of the 90's, coming out in the Duo Fenix, in duet with another keyboard player, Claudio Dauelsberg. Delia played and recorded with tens of musicians and singers, and recently published her cd "Antonio", received with praises by critics.
The Hotel Novo Mundo is in the Praia Do Flamengo,
20, [and] doesn't have a cover charge or a fixed [amount
of] drinks.
(Portuguese)
Novo talento no jazz
José Domingos Raffaelli
RIO, 2 (Agência O GLOBO) - O pianista
Michael Weiss foi o vencedor do concurso anual de compositores de
jazz do Instituto Thelonious Monk com sua composição
"El Camino", que será apresentada ao público em
setembro, em Nova York, na festa da entrega dos prêmios.
Michael Weiss tocou no Free Jazz Festival de 1998, integrando o
quarteto do saxofonista Johnny Griffin.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
New talent in jazz
Josè Domingos Raffaelli
RIO, 2 (O GLOBO Agency) - The pianist Michael
Weiss was the winner of the annual contest between jazz composers
organized by Thelonious Monk Institute, with his composition "El
camino", which will be presented to the public in September, in New
York, during the awards delivery party. Michael Weiss played in the
1998 Free Jazz Festival as a member of the Johnnie Griffin
Quartet.
(Portuguese)
Hélio Celso volta com exuberante CD após 15 anos
Cordas e marfim Hélio Celso
José Domingos Raffaelli
Este lançamento marca o retorno do pianista Hélio Celso como líder, depois de 15 anos no Japão. Ele reaparece com força total, relembrando seu talento de improvisador, arranjador e compositor.
Em "Cordas e marfim" (e-mail: sbenchimol@ax.apc.com.br), Hélio toca com Jurandir Meirelles (baixo), Rafael Barata (bateria) e Luiz Zamith (violoncelo), exibindo unidade e entendimento raramente observados em CDs independentes.
O repertório reúne temas da MPB e composições de Hélio. O fraseado de toque claro realça sua continuidade de idéias e as harmonizações que ornamentam suas improvisações. Os acordes de passagem que insere em "O morro não tem vez", "Tristeza de nós dois", "Street of dreams" e "Lindeza" valorizam sua concepção harmônica, e "Night in Tunisia" é uma agitada excursão pelo território afro-jazzístico.
Das composições de Hélio,
destaque para a melancólica "Skorpios" e a emotiva
"Mansidão do seu olhar". Hélio está exuberante
no vibrante samba-jazz "O gato e o novelo", no qual Zamith esbanja
suingue. "Cordas e marfim" reúne bom gosto, criatividade e
expressão pessoal. Sério candidato a um dos melhores do
ano.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
Helio Celso comes back with an exuberant cd 15 years after
Strings and ivory Helio Celso
Jose' Domingos Raffaelli
This new release marks the return of the pianist Helio Celso as a leader, after 15 years in Japan. He reappears with a total strength, remembering again his talent as an improviser, arranger and composer.
In "Cordas e marfim" (e-mail: sbenchimol@ax.apc.com.br), Helio plays with Jurandir Meirelles (bass), Rafael Barata (drums) and Luiz Zamith (cello), showing unity and intention rarely observed on independent cds. The repertoire combines mpb themes and Helio's compositions. The bright touch frasing shows up his continuity of ideas and the harmonizations that decorate his improvisations. The transition chords that he includes in "O morro nao tem vez", "Tristeza de nos dois", "Street of Dreams" and "Lindeza" emphasize his harmonic conception, and "Night in Tunisia" is an excited trip through the afro-jazz territory.
Between Helio's compositions, it distinguishes the
melancholic "Skorpios" and the emotional "Mansidao do seu olhar".
Helio is exuberant on the vibrating samba-jazz "O gato e o novelo",
in which Zamith strews swing. "Cordas e marfim" joins together good
taste, creativity and personal expression. It's a serious candidate
to one of the best of the year.
Lendário João Meirelles volta à ativa
José Domingos Raffaelli
Lenda viva da música instrumental brasileira, inovador e pioneiro, o saxofonista, flautista, compositor e arranjador João Meirelles está voltando aos palcos depois de uma ausência de quatro anos. Um dos criadores do estilo samba-jazz, nos anos 60 liderou o célebre conjunto Meirelles e Os Copa 5. Seus discos são cultuados nas pistas de dança da Europa e no Brasil sempre foram uma referência para os jovens músicos, que buscam avidamente os seus LPs de vinil. Meirelles voltou aos estúdios ano passado, gravando "Bananeira", com Ed Motta, no songbook de João Donato.
- Por paradoxal que seja, sou conhecido na Inglaterra e nas pistas de dança européias, mas não me conhecem no Brasil - comenta Meirelles sem qualquer ponta de mágoa.
Procurando mudar esse estado de coisas, ele está tentando a reedição dos seus discos junto às gravadoras, dos quais "O som" e "O novo som", disponíveis apenas em vinil, são disputados por DJs europeus.
- Algumas coletâneas da série "Raízes do samba" foram lançadas em 15 países europeus com gravações de 34 cantores, minhas e de Pixinguinha - revela. - O sucesso desses lançamentos lá fora é o meu argumento mais forte para que sejam reeditados aqui.
Meirelles revelou-se em plena efervescência da bossa nova, firmando-se entre os grandes valores que surgiram e cresceram musicalmente no lendário Beco das Garrafas.
- Comecei aos 17 anos no conjunto de João Donato tocando jazz com ritmos brasileiros. Em seguida fui para São Paulo tocar com o pianista Luiz Loy. Voltei três anos depois porque o repertório de samba-jazz fazia sucesso entre os pequenos conjuntos, e isso era o que eu queria tocar.
Foi quando ele organizou o conjunto Meirelles e Os Copa 5, que firmou o seu nome entre os criadores do samba-jazz, juntamente com Edison Machado, Maestro Cipó, Sivuca e a famosa Turma da Gafieira.
- Formei meu grupo no clube Bottle's, no Beco, sendo um dos pioneiros na formação de conjuntos instrumentais de música brasileira moderna, ao lado de Luiz Eça, Sergio Mendes, Johnny Alf, João Donato, Paulo Moura e outros.
O grande impulso da sua carreira aconteceu quando ele escreveu o arranjo de "Mas que nada" para Jorge Benjor, que teve um sucesso instantâneo sem qualquer trabalho de divulgação na mídia.
- Entusiasmado com meu trabalho em "Mas que nada", o produtor Armando Pittigliani, da Companhia Brasileira de Discos (mais tarde Phonogram, PolyGram e atualmente Universal), deu-me a oportunidade de gravar "O som". O quinteto estava tão afiado que todas as faixas foram gravadas no primeiro take.
Suas composições "Quintessência", "Nordeste", "Contemplação", "Tania" e "Blue Bottle's" marcaram época, e "Neurótico" foi gravada pelo Sexteto Bossa Rio, de Sergio Mendes, com arranjo dele.
Durante 11 anos, Meirelles trabalhou na EMI como músico, maestro, arranjador e produtor. Além de Donato, Luiz Loy e Edison Machado, tocou e gravou com Agostinho dos Santos, Lisa Ono, Maria Bethânia, Antonio Adolfo, Luiz Carlos Vinhas, Roberto Carlos, Rosinha de Valença, Hermeto Pascoal, Cláudio Guimarães, Chico Buarque, Guilherme Vergueiro, Fafá de Belém, Tito Madi, Peri Ribeiro, Geraldo Vandré e dezenas de outros.
- Depois do trabalho na EMI, sem ter nenhum projeto em vista, decidi ir para o México, onde fui contratado por um grupo sueco, com o qual fui para a Europa - conta. - Vivi três anos na França, Suécia e Monte Carlo, onde recusei uma oferta do maestro Aimé Barelli porque estava voltando para o Brasil.
Ultimamente Meirelles vem ministrando curso de programação musical computadorizada, edição gráfica, impressão musical e arranjos Midi, tendo como alunos Osmar Milito, Zé Nogueira, Aécio Flávio, entre outros.
- É um trabalho fascinante, mas me afastou da música e dos palcos por quatro anos.
A volta de Meirelles como líder aconteceu ontem, no bar do Hotel Novo Mundo, onde se apresentará todas as sextas-feiras de agosto tocando jazz e música brasileira em duo com a pianista Delia Fischer.
- Estou bastante motivado por voltar a tocar. Com
o sucesso dos meus discos no exterior, quero produzir e lançar
um novo trabalho. Há 35 anos não sai um disco meu, e
minha volta aos palcos é a razão do meu entusiasmo para
realizar novos projetos. Essa volta aos palcos marcará o
início de uma série de realizações - diz,
otimista, João Meirelles, disposto a retomar seu caminho
inovador na moderna música instrumental brasileira.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
Legendary João Meirelles comes back in activity
Josè Domingos Raffaelli
Living legend of instrumental Brazilian music, innovator and pioneer, the saxofonist, flutist, composer and arranger João Meirelles is coming back to the stages after an absence of four years. As one of the creators of samba-jazz style, he lead in the 60's the famous Meirelles group and the Copa 5. His records are true cults on the european dance floors and in Brazil were always a reference for the young musicians, who greedily search for his vinyl records. Meirelles came back to studios in the last year, recording to "Bananeira", with Ed Motta, in the João Donato's songbook.
- It seems paradoxical, but I am famous in England and in the European dance floors, but people don't know me in Brazil - says Meirelles without any bitterness.
Looking for changing this state of things, he is trying to rerecord his old records in agreement with the labels, among which "O som" and "O novo som", availables only in vinyl, are disputed from European djs.
- Some collections of the Raizes do samba series were launched in 15 european countries with recordings of 34 singers, of mine and by Pixinguinha - he reveals. - The success of these launchings abroad is my stronger argument for a reedition here in Brazil.-
Meirelles revealed himself in the full effervescence of bossa nova, making a name for himself among the great talents which raised up and developed in the legendary Beco das Garrafas.
- I started at 17 years in the João Donato' s group playing jazz mixed with Brazilian rhythms. After that I went in São Paulo to play with the pianist Luiz Loy. I came back three years later because the samba jazz repertoire was making success between the small groups, and this was what I wanted to play.
It was when he organized the "Meirelles e os Copa 5" group, that he placed his name between the creators of samba jazz, with Edison Machado, Maestro Cipo', Sivuca and the celebrated Turma da Gafieira.
- I formed my group in the Bottle's club, in the Beco, being one of the pioneers in the creation of instrumental groups of Brazilian modern music, by side of Luiz Eça, Sergio Mendes, Johnnie Alf, João Donato, Paulo Moura and others.
The great impulse of his career occurred when he wrote the arrange of Jorge Benjor's "Mais que nada" , which had an instantaneous success without any promotional work on medias.
- Carried away from my work on "Mais que nada", the producer Armando Pittigliani, of the Companhia Brasileira de Discos (the later Phonogram, Polygram and actually Universal), gave me the opportunity to record "O som". The quintet was so tuned that all the tracks were recorded at the first take.
His compositions "Quintessencia", "Nordeste", "Contemplaçao", "Tania", and "Blue Bottle's" marked an era, and "Neurotico" was recorded by the Sergio Mendes' Sexteto Bossa Rio, with arrangements of his own.
During 11 years, Meirelles worked at EMI as a musician, maestro, arranger and producer. As well as Donato, Luiz Loy and Edison Machado, he played and worked with Agostinho dos Santos, Lisa Ono, Maria Bethania, Antonio Adolfo, Luiz Carlos Vinhas, Roberto Carlos, Rosinha De Valença, Hermeto Paschoal, Claudio Guimaraes, Chico Buarque, Guilherme Vergueiro, Fafà De Belem, Tito Madi, Peri Ribeiro, Geraldo Vandrè and many others.
After the work at EMI, without any project in view, I decided to go to Mexico, when I was contracted by a swedish group, with which I was in Europe- he says.- I was living for three years in France, Sweden and Monte Carlo, when I refused an offer of the maestro Aimè Barelli because I was coming back to Brazil.
Recently Meirelles is managing a course of computerized musical programming, graphical edition, musical recordings and Midi arrangements, having as alums Osmar Milito, Zè Nogueira, Aècio Flavio, among others.
- Is a fascinating work, but it removed me form music and stages for four years.
The return of Meirelles as a leader happened yesterday, in the bar of the Hotel Novo Mundo, where he 'll be presenting himself every friday of August playing jazz and Brazilian music in duo with the pianist Delia Fischer.
- I am motivated enough to go back to playing.
With the success of these records of mine abroad, I want to produce
and launch a new work. For the last 35 years I've not published a new
record, and my return to the stage is the reason for my enthusiasm
for realizing new projects. This return to the stage will mark the
start of a series of realizations - says João Meireles,
optimist, and ready to take back his innovating road in the modern
instrumental Brazilian music.
(Portuguese)
Coleção oferece registros de três gigantes do jazz
José Domingos Raffaelli
Coletâneas de Miles Davis, John Coltrane e Bill Evans, três das maiores influências do jazz moderno, fazem parte da série "Jazz Showcase" (BMG). São gravações Prestige e Riverside feitas entre 1951 e 1962, lançadas dezenas de vezes, mas indispensáveis para quem não as conhece.
As faixas do trompetista Miles Davis documentam seu amadurecimento. Ele atua com seu quinteto ("If I were a bell" e "Just squeeze me"), Thelonious Monk ("The man I love"), Sonny Rollins ("Airegin"), Charlie Parker ("Round midnight) e outros.
John Coltrane logo dobraria a esquina que revolucionou o jazz, mas já desenvolvera seu som e fraseado de grande força rítmica. Vale apreciar as emotivas "Soultrane" e "Lush life", o encontro com Monk em "Ruby my dear" e as famosas frases sheets of sound que mudaram a concepção do sax-tenor em "Bass blues".
Bill Evans contribuiu com inovações
para o piano no jazz, principalmente no plano harmônico. "Peace
piece" explora território modal. "Autumn leaves" tem
impressionante passagem da interação do trio, que
está no auge da criatividade em "Gloria's step". "Waltz for
Debby", inspirada em "My conception", de Sonny Clark, é um
poema tonal. Em "Know what I mean ?", foi omitido o nome do
saxofonista Cannonball Adderley.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
Collection offers recordings of three jazz giants
José Domingos Raffaelli
Collections of Miles Davis, John Coltrane and Bill Evans, three of the main influences in modern jazz, are included on the series "Jazz Showcase" (BMG). They are Prestige and Riverside recordings made between 1951 and 1952, launched tens of times, but absolutely essential to the listener that doesn't know [them] yet.
The tracks of the trumpetist Miles Davis proves his ripening. He plays with his quintet ("If I were a bell" and "Just Squeeze me"), Thelonious Monk ("The man I love"), Sonny Rollins ("Airegin"), Charlie Parker ("Round Midnight") and others.
John Coltrane soon would go round the corner of that revolutioned jazz, but he already was developing his sound and phrasing of great rhythmic strength. It's worth it to appreciate the emotional "Soultrane" and "Lush life", the encounter with Monk in "Ruby my dear" and the famous sheets of sound phrasing that have changed the tenor saxophone conception in "Bass blues".
Bill Evans contributed with several innovations
for jazz piano, mainly from the harmonic point of view. "Peace piece"
explores modal territory. "Autumn leaves" gives a tremendous example
of the trio interplay, which is at the top of creativity in "Gloria's
step". "Waltz for Debby", inspired from "My conception" by Sonny
Clark, is a tonal poem. In "Know what I mean?", the name of the great
alto saxofonist Cannonball Adderley was omitted.
(Portuguese)
Max Roach afirma que seu maior triunfo foi integrar a geração bebop
José Domingos Raffaelli
O lendário baterista Max Roach, uma das grandes atrações do Free Jazz, diz que o maior triunfo da sua longa carreira é ter pertencido à geração de grande talento que criou o bebop, revolucionando o jazz nos anos 40. O baterista se apresentará no dia 19 de outubro no Rio, no palco Club do Museu de Arte Moderna, às 22h, e no dia seguinte em São Paulo.
Max Roach tem uma longa e variada carreira que começou em 1942, na Orquestra de Benny Carter. Um dos pioneiros da bateria moderna, desenvolveu o estilo criado por Kenny Clarke que originou o bebop. Ele tocou e gravou com uma infinidade de músicos, incluindo Charlie Parker, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Charles Mingus, Thelonious Monk, Bud Powell, Coleman Hawkins, Sonny Rollins, Clifford Brown e muitos outros.
- TIve a sorte de estar em Nova York nos anos 40, quando o jazz fervilhava na Rua 52. Foi uma fase eletrizante na qual desenvolvemos a música conhecida como bebop - diz Roach ao GLOBO, de Nova York, em entrevista por telefone. - Considero a maior realização da minha carreira ter pertencido à notável geração talentosa que criou o bebop.
Roach desenvolveu sua excepcional técnica com ritmos complexos superpostos e acentuações irregulares de mão esquerda, além da distribuição variada dos acompanhamentos nos pratos e tambores. Suas atuações em "Ko-Ko", com Charlie Parker, e "Bud's bubble", com Bud Powell, em andamentos velocíssimos, deram à bateria um nível de desenvolvimento inimaginável para a época.
- Foi quando comecei a tocar com o quinteto de Parker, desenvolvendo imediatamente uma profunda afinidade entre nós - comenta. - Os cinco anos com Parker solidificaram meu estilo, foram um rico e eterno aprendizado.
O baterista lembra de Clifford Brown, o lendário trompetista com quem co-liderou seu quinteto.
- Clifford foi um fenômeno, um trompetista superiormente dotado, de rara imaginação, sensibilidade e musicalidade - lembra. - Nosso quinteto foi uma das grandes experiências da minha vida, todos os dias acontecia algo novo. Depois da sua morte trágica num acidente automobilístico, fiquei bastante deprimido, levando muito tempo para me recuperar. Até hoje lembro dele com muita saudade e profundo carinho.
Roach sempre buscou novos desafios em contextos diferentes. Além de compositor e professor, ele atuou e gravou "Historic concerts", em parceria com o pianista Cecil Taylor, um dos monstros sagrados do jazz de vanguarda, e toca freqüentemente com o Uptown String Quartet, da sua filha Maxine Roach.
- Maxine toca viola e organizou esse quarteto de cordas para tocar música contemporânea e interpretar alguns temas dos grandes do jazz, como Thelonious Monk e Duke Ellington - explica. - Quando unimos os nossos quartetos, sempre resulta uma fusão bastante estimulante.
Roach lembra que tocou no Free Jazz de 1989 com o mesmo conjunto que trará agora.
- Há muitos anos mantenho os mesmos músicos que irão comigo ao Brasil. São Cecil Bridgewater (trompete), Odeon Pope (sax-tenor) e Tyrone Brown (baixo) - informa. - Se está dando certo há tantos anos, para que mudar?
Ele recorda os turbulentos anos 60 e 70, quando era ativo participante do movimento dos direitos civis.
- Nessa época, eu era casado com a cantora
Abbey Lincoln. Fiz o que pude para defender os direitos dos negros.,
Minha contribuição musical foi a obra "Freedom now
suite", que causou muita polêmica, chamando a
atenção para a opressão em que viviam os meus
irmãos de cor.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
Max Roach affirms that his main triumph was integrating the bebop generation
Jose Domingos Raffaelli
The legendary drummer Max Roach, one of the great attractions of Free jazz, says that the main triumph of his long career is the belonging to the great talented generation which created bebop, revolutionizing jazz in the 40's. The drummer will perform on October 19 in Rio, on the stage of the Modern Art Museum Club, 22 p.m. and the next day in São Paulo.
Max Roach has had a long and varied career that began in 1942, in the Benny Carter orchestra. One of the pioneers of the modern drumming, he developed the style created by Kenny Clarke that originated bebop. He played and recorded with innumerable musicians, including Charlie Parker, Miles Davis, Dizzie Gillespie, Charles Mingus, Thelonious Monk, Bud Powell, Coleman Hawkins, Sonny Rollins, Clifford Brown and many others.
- I had the chance to be in New York in the 40's, when jazz was boiling in 52nd Street. It was an exciting period in which we developed the music known as bebop - Roach says to GLOBO, from New York, during a phone interview.
- I consider the most important achievement of my whole career to be a member of the remarkable and talented generation which made the bebop.
Roach developed his exceptional technique with complex overlapped rhythms and irregular accentuations of the left hand, as well as the varied distribution of accompaniment in cymbals and drums. His performances in "Ko-Ko", with Charlie Parker, and "Bud's bubble", with Bud Powell, in very fast progression, gave to the drums an evolution unthinkable for that age.
- It was when I began to play with Parker's quintet, immediately developing a deep affinity among us - he says. - The five years with Parker defined my style of drumming, they were a rich and continuous apprenticeship.
The drummer remembers Clifford Brown, the legendary trumpetist with whom he co-leaded his quintet.
- Clifford was a phenomenon, an higher talented trumpetist, of rare immagiation, sensibility and musicality - remembers. - Our quintet was one of the great experiences of my life, every day happening something new. After his his tragic death in a car accident, I remained very depressed, spending a very long time to collect myself. Even in the present i remember him with yearning and deep affection.
Roach always was searchin' for new challenges in different contexts. As well as composer and professor, he realized and recorded "Historic concerts", with the pianist Cecil Taylor, one of the sacred names of the avantguarde jazz, and he often plays with the Uptown String Quartet, of his daughter Maxine Roach.
- Maxine plays viola and she organized this string quartet to play contemporary music and to perform some themes of the jazz giants, as Thelonious Monk and Duke Ellington - he explains. - When we join our quartets, it always results as an enough stimulating fusion.
Roach remembers that he played in the 1989' Free Jazz edition with the same group that he is presenting now.
- From many years I am playing with the same musicians that will be with me in Brazil. They are Cecil Bridgewater (trumpet), Odeon Pope (tenor sax) and Tyrone Brown (bass) - he informs. - If it's working for so many years, why change?
He remembers the stormy '60s and '70s, when he was an active participant of the Civil Rights Committee.
- In that age, I was married to the singer Abbey
Lincoln. I made what I could to defend the black people's
rights. My musical contribution was the "Freedom now suite",
that caused many discussions, claiming the attention for the
oppression in which my brothers in colour were living.
(Portuguese)
Sons e ritmos brasileiros dão o toque de classe
José Domingos Raffaelli
Bixiga - Banda Mantiqueira
Ele e eu - Zé da Velha e Silvério Pontes
Os dois lançamentos realçam a qualidade da música instrumental brasileira, com repertório tradicional e moderno de bom gosto.
A Banda Mantiqueira, comandada pelo saxofonista Nailor Proveta, destaca-se pela execução dinâmica, arranjos inventivos, solos do líder, Ubaldo Versolatto (sax-barítono em "Catavento e girassol", peça ornamentada por belas texturas no acompanhamento orquestral), Odésio Jericó (trompete) e outros. A faixa-título e "Baião de Lacan" oferecem surpresas na introdução e nos arranjos, a última com uma instigante passagem em contraponto.
O trombone suingado de Zé da Velha e o
trompete atrevido de Silvério Pontes se completam, são
dois genuínos instrumentistas brasileiros sem
influências externas. Em "Ele e eu" (Independente, tel. 21
273.5749), é suficiente ouvir o excepcional controle
instrumental de Pontes na pungente "Cordas de aço", o trombone
negróide de Zé da Velha na efervescente "Alvorada" ou o
revezamento entre ambos em "Sem compromisso" para avaliar do que
são capazes.
(English) [Translation by Paolo Segantini]
Brazilian sounds and rhythms give the touch of class.
Jose' Domingos Raffaelli
Bixiga - Banda Mantiqueira
Ele e eu - Ze' da velha e Silverio Pontes
These two new releases show up the quality of Brazilian instrumental music, with traditional repertoire and a modern good taste.
The Banda Mantiqueira, leaded by the saxophonist Nailor Proveta, characterizes itself for the dynamic execution, inventive arranges, the solos of the leader, Ubaldo Versolatto (baritone sax on "Catavento e girassol", composition enriched by fine textures in the orquestral accompaniment), Odesio Jerico (trumpet) and others. The title track and "Baiao de Lacan" offer surprises in the introduction and in the arrangements, the latest with a stimulating counterpoint passage.
The swinging trombone of Ze' da Velha and the
daring trumpet of Silverio Pontes integrate themselves, they are two
genuine brazilian instrumentists without external influences. In "Ele
e eu" (Independente, tel. 21 273.5749), is enough to listen to the
Pontes exceptional instrumental control in the biting "Cordas de
aço", the negroid trombone of Ze' da Velha in the sparkling
"Alvorada" or the alternation among the two in "Sem compromisso" to
appreciate what they can do.
28/agosto/2002
Humor no jazz
Por Jose Domingos Raffaelli
O saxofonista Paul Gonsalves, um dos principais
solistas da orquestra de Duke Ellington, bebia bastante e vivia em
permanente estado etílico. Certa noite, durante um concerto,
adormeceu em pleno palco. A orquestra continuou tocando, mas nada
perturbava Gonsalves, que dormia a sono solto. Durante um dos temas,
enquanto o trompetista Willie Cook tocava seu solo no microfone
à frente da orquestra, chegava a vez de Gonsalves. Preocupado,
o trombonista Buster Cooper acordou-o para que fosse à frente.
Completamente tonto, Gonsalves foi trocando pernas em
direção ao microfone. Nesse exato momento, Cook
terminou seu solo e o público aplaudiu demoradamente.
Gonsalves deu meia volta e sentou-se na sua cadeira sem ter soprado
uma única nota. Sorridente, voltou-se para Cooper e disse: -
Viu como gostaram do meu solo? Ainda estão me aplaudindo".
Outro que bebia muito era o saxofonista Ben Webster. Abusava tanto da bebida que nunca se recordava de nada. Uma noite, totalmente embriagado, Webster tocava no clube Ronnie Scott´s, em Londres, quando avistou o cantor Billy Eckstine. Atirou-se com tal ímpeto ao velho amigo que ambos rolaram no chão. Levantaram-se, abraçaram-se e passaram o resto da noite conversando e bebendo. No dia seguinte, ao chegar sóbrio no clube, fato muito raro, Ronnie Scott dirigiu-se a ele:
Ronnie Scott: - Você e Billy Eckstine
conversaram um bocado ontem à noite, não? Ben Webster:
- Eu e quem ? Ronnie Scott: - Você e Billy Eckstine. Pelo papo
que tiveram, esgotaram todos os assuntos. Ben Webster: - Homem,
você andou bebendo ? Não vejo Billy Eckstine há
uns oito anos.
O guitarrista Eddie Condon também era um bom copo. Uma noite ele conversava com um amigo que exaltava as qualidades dos músicos bebop, estilo que Condon abominava. De vez em quando, Condon tirava do bolso uma garrafinha de um quinto de uísque (que cabe no bolso, muito popular nos Estados Unidos) e sorvia deliciado um gole da preciosa bebida. A certa altura, querendo convencer Condon das virtudes dos músicos bebop, o amigo disse:
- Você já ouviu como eles são mestres em tocar as quintas diminuídas (notas características na execução do bebop)_?
Condon: E daí ? Eles diminuem as quintas na
música e nós esvaziamos nossos quintos de
uísque.
O baterista Art Blakey era um inveterado conquistador. Não podia ver uma mulher bonita que logo a assediava. Uma noite, uma linda moça solicitou seu autógrafo no camarim do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, depois de uma apresentação dos Jazz Messengers. Enquanto atendia ao pedido, Blakey não perdeu tempo para fazer uma proposta indecorosa. A moça recusou, dizendo:
- Que é isso, sou uma mulher casada.
Blakey: Mas, querida, você não
precisa dizer nada a seu marido.
Outra de Art Blakey. Depois de contratado para uma temporada no Brasil, em 1977, ele informou ao empresário brasileiro que seria obrigado a cancelar a turnê. Motivo: o consulado brasileiro em New York recusou-se a dar o visto no passaporte do seu trompetista russo Valeri Ponomarev porque o Brasil não mantinha relações diplomáticas com a União Soviética. O empresário, bastante conhecido por sua habilidade em dar o famoso "jeitinho brasileiro", pois era bem relacionado com políticos e algumas autoridades do país, acalmou Blakey garantindo que ele mesmo viajaria com os Jazz Messengers e o trompetista russo entraria no Brasil sem problemas. Logo que desembarcassem, ele providenciaria a regularização da documentação do músico em 24 horas. Confiando na palavra do empresário, Blakey aceitou. No desembarque, com o empresário brasileiro à frente do grupo tendo à mão os passaportes de todos, passaram pela polícia federal sem qualquer problema; como garantira o empresário, o passaporte de Ponomarev foi carimbado. Para evitar confusão até a situação do russo ser normalizada, decidiram que sua nacionalidade seria mantida em sigilo.
Quem ouviu alguma apresentação dos Jazz Messengers sabe que Blakey apresentava seus músicos ao público: mencionando, pela ordem, o instrumento do músico, sua cidade natal e o seu nome.
Na noite de estréia, no Teatro João Caetano, para não levantar suspeitas, mas alegre e debochado como sempre, Blakey apresentou seus Messengers:
"Ladies and gentlemen, let me introduce the Jazz Messengers in our first Brazilian tour. On alto saxophone, from Lawrence, Kansas, Bobby Watson; on tenor saxophone, from Newark, New Jersey, David Schnitter; on piano, from Richmond, Virginia, Walter Davis Jr.; on bass, from New York City, Dennis Irwin; on trumpet, from Harlem, New York, Valeri Ponomarev".